20 de jun. de 2010

POEMAS FINALISTAS

Incertezas (7)
Estava andando nesta estrada deserta
Pensando em como fiz a escolha errada
Toda a minha vida parece incerta
Confusa demais para ser lembrada

Mortalmente perdida em pensamentos
Aí que eu me acabo distante de mim
Assustava-me ao menores movimentos
Mas não significa nada pra mim

Gostaria de poder voltar no tempo
E dizer a mim mesma o que eu sei agora
Palavras ficam flutuando ao vento

O que poderia... vai se apagar
Mas ao mesmo tempo eu queria ir embora
Com isso a dúvida vai continuar


Tu amor me salvar (8)
Hei de romper meus planos pois tu nasces
Um lira empírica nos meus deslizes
Estrugiu sobre o sertão e suas matrizes
Onde as águas resplandecem tua face

Pudera me recordar d'outra aurora
Quando tu ainda não esperavas agruras
Eis que o insensível viera com tristuras
Sofra e chore em redenção a minha escora

Transladou-se em silêncio o teu pudor
Não devo mais repudiar e mentir
Pois sozinho não preciso mais seguir

És mesura inversa a Inês falecida
Tal que mi sentido transpôs ao coração
Não regressarei a tua precipitação



Retrato de triunfo (9)
Amadeirado os perfumes
Das telas verdes dos campos
Adornadas por uns lumes
Rubros, opostos aos relampos

Lá vem o vento à vista
Para conduzir em poeira
Almas de benção maldita
Tornando-as em cinzas na eira

E há de tornar-se tinto
O vinho que fala glória
À nobreza e à vitória

Dissimulando o faminto
Que colocado em melodia
Som de ganho à melancolia.

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